sexta-feira, julho 23, 2004

O Mocho e a Gatinha

Peça de Bill Manhoff, encenada por Juvenal Garcês e levada ao palco pela Companhia Teatral do Chiado; com Simão Rubin e Vanessa Agapito. A não perder. Ali é tudo bom. A localização (no Largo do Picadeiro, ao Chiado) é das mais prazenteiras da cidade (e ainda por cima com a Hagen Dazz logo ali ao virar da esquina). As instalações são muito boas (a premiar com um espaço digno uma das mais notáveis companhias de teatro do país). O vendedor de programas (que por acaso é o excelente encenador da companhia… ou será que é ao contrário?!) mostra como se pode estar de forma saudável (sem tiques afectados) nas artes do espectáculo. O Simão Rubin, que só surpreende quem não o conhece (a verdade é que o homem paga uma fortuna aos papparazzi para não o fotografarem para a Caras…) e a encantadora Vanessa Agapito proporcionam-nos aproximadamente 2h30m de puro entretenimento (e, não sejamos nós casos absolutamente perdidos, estas duas estrelas até “nos cospem na cara” algumas intrigantes questões sobre as nossas próprias identidades…).

Carlos Paredes, 1925-2004


Quando uma guitarra trina
Nas mãos de um bom tocador
A própria guitarra ensina
A cantar seja quem for

Eu quero que o meu caixão
Tenha uma forma bizarra
A forma de um coração
A forma de uma guitarra

Guitarra, guitarra querida
Eu venho chorar contigo
Sinto mais suave a vida
Quando tu choras comigo

quinta-feira, julho 22, 2004

Deus escreve direito por linhas tortas Ricardo Fernandes é um jogador de futebol. Não é muito conhecido, porque também não é muito bom; é, como se costuma dizer, jeitoso... Era jogador do Sporting e, no negócio que trouxe Clayton para Alvalade, transferiu-se para as Antas. Ao contrário do que se passou com Clayton, Ricardo Fernandes resolveu, na linha de discurso feudal que caracteriza tanta e tanta gente naquele clube, achincalhar o Sporting – como o canalha do Palhaço Anão já o havia feito para agradar 6 milhões de portugueses –, com comparações muito pouco dignas, procurando um lugar na devoção tripeira. Mas o que Ricardo Fernandes se esqueceu é que a verdadeira devoção tripeira é dedicada aos jogadores que mostram em campo aquilo que dizem cá fora. Ricardo Fernandes não podia mostrar, porque é um jogador jeitoso. Com potencial… mas jeitoso. Foi por isso que não ficou no Sporting, e não pelo mau carácter que mostrou mais tarde quando chegou ao Porto (já que isso não se lhe adivinhava…); e ainda bem que não ficou. O irónico é que – com todo o respeito, e pesar…, pela Académica – Ricardo Fernandes não ficou nas Antas e ruma, este ano, a Coimbra para jogar pela Briosa. É caso para dizer: “Deus escreve direito por linhas tortas.”

Stephen Hawking contesta Pedro Santana Lopes na questão do túnel do marquês
"I'm sorry to disappoint science fiction fans, but if information is preserved there is no possibility of using black holes to travel to other universes."

A Silly Season, este ano, deu lugar à Silly’s Season.

Um partido de senhoritos. José Pacheco Pereira publicou no seu Veritas Filia Temporis um texto onde, em 1994, desancou, forte e feio, no CDS de Monteiro. Para uma melhor compreensão do texto – de resto tão esclarecedor sobre o que JPP pensa de Monteiro que quase não precisa mais auxílios – vale a imagem que Alexandre Babo, ao escrever sobre a Lisboa de 30 nos dá dos “senhoritos” (texto que, curiosamente, figura no primeiro volume da biografia política de Cunhal escrita pelo mesmo JPP). Alexandre Babo fala-nos de “senhoritos” que param à porta da Havaneza, mascam charutos cubanos, usam chapéu à toureiro, mostram o anel brasonado e exibem a sua ociosidade e jactância. Esta imagem – numa sociedade de imagens – é tão forte que dispensa mais aditamentos. Para JPP, o CDS de Monteiro (em 1994), como o PP de Portas (em 2004), são partidos de gente petulante, convencida que a nobreza lhes vem do berço e não do carácter, meio marialva e fútil. A acusação velada é forte, é injusta – porque geral – para alguns dos que lá estiveram e para alguns que por lá ainda estão, mas é cruelmente certeira para tantos! Mas eles não sabem disso… e é por isso que odeiam Pacheco Pereira! É que para lá de “senhoritos” são cegos como morcegos. Ou teimosamente cegos: a pior de todas as cegueiras.

domingo, julho 18, 2004

Proto-Ministro Honorário Vitalício Do Governo Português. Valadares Tavares.

sexta-feira, julho 16, 2004

Paradoxo de Santana
Se ninguém conhece uma ideia de fundo ao Santana Lopes, porque é que estão sempre a dizer que o gajo é ultra-liberal?

Pergunta venenosa.
«Quando fores grande queres ser como o Simão Sabrosa?», pergunta de um jornalista a uma criança.

quinta-feira, julho 15, 2004

O largo da Sé, em Beja.
O Praça da República chama a atenção para o pouco digno largo da Sé em Beja “agora transformado em parque de estacionamento”. Caro João, “agora”?! Há anos que é assim! Bem como no castelo… ou no largo do Pax Júlia… A cidade que seria, por excelência, a cidade dos peões tem um estranhíssimo problema com os automóveis!

Efeito Pigmalião

«Os nossos melhores reforços são vocês!!!», José Peseiro, treinador do Sporting Clube de Portugal, dirigindo-se aos jogadores do plantel principal que transitaram do ano passado para este ano.

«O efeito Pigmalião pode ser descrito como a melhoria de aprendizagem provocada pelas elevadas expectativas do chefe (ou do formador, professor, [treinador], etc.). (…) O efeito Pigmalião traduz por conseguinte o efeito da indução de expectativas sobre o comportamento de um líder e dos respectivos subordinados. Os seus efeitos no desempenho dos subordinados podem ser devido a factores como: maior atenção visual do líder, mais contactos e elogios, mais contactos positivos, etc. Em suma, o efeito Pigmalião significa que os empregados têm melhores desempenhos quando os chefes depositam neles elevadas expectativas.» (in Cunha et al. (2003) Manual de Comportamento Organizacional e Gestão. Lisboa: RH editores)

Ministro das Finanças
Ontem, na SIC notícias, o Nicolau Santos falava na previsível orientação do novo Ministro das Finanças para o controlo da despesa – continuando, assim, a política iniciada por Manuela Ferreira Leita. Segundo ele, Bagão Félix enquanto Ministro do Trabalho e da Segurança Social tinha orientado as suas acções para a minimização das prestações sociais (o subsídio de desemprego, as prestações de doença, …) e, portanto, atacado a despesa e não a receita. Esta visão parece-me extraordinariamente redutora da acção política do mais reformista de todos os ministros dos últimos anos. Bagão Félix tinha uma intenção muito mais ampla – e bastante evidente – que a mera contenção da despesa. Bagão tinha a intenção de imprimir Justiça no sistema. Num sistema que ele queria reformar tornando-o mais liberal, menos assistencialista, menos estatal, mas sem lhe retirar a função de providência social. Se se quiser, assim, reduzir a acção de Bagão Félix a uma ou duas expressões chave não é “redução da despesa” a mais adequada, mas antes “liberalização” e “justiça”. Não é, por isso, razoável afirmar, como fez Nicolau Santos, que seja expectável que a prioridade de Bagão Félix, nas Finanças, seja a continuidade do controlo da despesa e não uma intervenção enérgica no lado da receita. Por variadíssimas razões. A primeira porque há compromissos assumidos que vão ter que ser cumpridos e que não se compadecem com um controlo da despesa tão férreo como até aqui e que passam, por exemplo, pelo aumento dos funcionários públicos. A segunda porque já não receitas extraordinárias para, do lado da receita, equilibrar a balança. A terceira – e mais de fundo… - porque a “liberalização” tende para a redução da carga fiscal e esta só se consegue com “justiça”, combatendo a fraude e a evasão fiscal – e isto está do lado da receita. Por outro lado, se há alguém que deu sinais inequívocos de não ter medo em avançar, consistente e lestamente, para reformas profundas foi Bagão Félix. Eu estou optimista!

Coerência
“O que não puderes reforçar, não lideres”,
Sócrates, Filósofo, Sec.V a.C.
“Sou muito popular entre as militantes!”,
Sócrates, Político, Sec.XXI d.C.

Uma palavra sobre Lisboa. Como seria de esperar, realçando a parca importância que o municipalismo tem em Portugal, o “escândalo” político que afectou o país por via da sucessão de Santana Lopes a Durão Barroso na liderança do governo – governo e lugar que não são directamente eleitos – não teve semelhante repercussão na sucessão para a Câmara de Lisboa. Ora, eu que votei PSD nas últimas eleições fi-lo, não porque quisesse, especialmente, o Durão Barroso como primeiro-ministro, mas porque queria o PSD no governo, com o seu programa. Mas foi em vão o meu voto, porque no círculo eleitoral em que estava inscrito – Beja – o PSD não elegeu nenhum deputado. De qualquer forma foi para a assembleia – órgão por excelência da democracia e da representatividade – que votei. Para as eleições autárquicas, porém, eu para lá de votar para a assembleia municipal, voto para o executivo – um executivo liderado por um candidato a Presidente da Câmara, eleito directamente. Neste sentido parece-me que seria muito mais pertinente a reclamação de eleições autárquicas extraordinárias em Lisboa, que eleições legislativas...

domingo, julho 11, 2004

Lições a tirar da recente crise política.
1. O Presidente da República, Jorge Sampaio, mostrou ter uma assinalável e muito respeitosa coragem política;
2. O Presidente da República, Jorge Sampaio, teve a coragem de ser, quer se goste ou não se goste, quer se concorde ou não se concorde, o Presidente da República de todos os portugueses;
3. O PCP, o Bloco de Esquerda e, pelo menos, a Sr.ª Dona Ana Gomes mostraram o que já se adivinhava... convivem mal com a Democracia;
4. O PS – o pior partido português... – mostrou o que também já se sabia... em momento de discutir o país eles discutem o partido e ajustam contas partidárias;
5. O Ferro Rodrigues é politicamente uma nulidade, exagerou a posição, tomou-se por mais importante que é ou alguma vez foi, mas teve dignidade e coragem ao bater com a porta;
6. Por outro lado, Ferro Rodrigues, ao colocar a coisa no plano pessoal, mostrou que a relação que o PS tem com os cargos de soberania não são relações assentes em princípios políticos e de respeito pela democracia, mas relações pessoais e clientelares;
7. Aprendemos, por outro lado, que a “total confiança” que o PS tem no Sr. Presidente da República só se aplica se a solução encontrada lhe for conveniente;
8. Aprendemos ainda que, para a generalidade da esquerda, um parlamento eleito não vale nada, quando os interesses dessa mesma esquerda estão em causa;
9. Reforçámos a convicção que o Bloco está com sede de poder;
10. E confirmámos a impressão de que, para boa parte da classe política, nas eleições europeias votamos para censurar o governo e que nas eleições legislativas votamos para eleger um primeiro-ministro; por outro lado espantamo-nos por nenhum dos que isto defende tenha alguma vez proposto uma adequada e consequente reforma do sistema eleitoral...

sexta-feira, julho 09, 2004

«Sampaio não pode ficar dependente de maiorias parlamentares», Ferro Rodrigues

Pois não!!! Quem é que essas maiorias parlamentares julgam que são? Maiorias eleitas pelo povo? Sufragadas em eleições para o efeito? Pooooooorra, a falta de vergonha não tem limite ali no Largo do Rato!!!

quarta-feira, julho 07, 2004

O populismo, a irreverência e a falta de vergonha
Eu sei que a notícia (“BE distribui 500 preservativos com Bush e Durão em pose romântica”) já é antiga, mas serve para levantar uma dúvida que entretanto me tem surgido… Porque é que o que se faz à direita é populismo e o que se faz à esquerda é irreverência? Não será isto tudo uma gigantesca falta de vergonha?

VENDIDOS!!!
Nada que não se esperasse… afinal o caviar e o Möet et Chandon não são baratos!

terça-feira, julho 06, 2004

Empresa cria bananas com sabor a morango
Ora aí está uma inovação fundamental!!! Aguardam-se as sardinhas com sabor a porco, a vitela com sabor a dourada, as uvas com sabor a amendoim e o leite com sabor a vinho!!! Que gajos mais atrofiados, porra!!!!

Trapattoni treinador do Glórias?
Ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah!!!!!!
(ainda bem que já se foram embora os tempos do unanimismo em torno da selecção... já estava com saudades destas fracturas clubisticas!)

segunda-feira, julho 05, 2004

RIP, futebol espectáculo
Brasil, não deixes que a magia morra!!!

Força, Manuel Cajuda, força, Vitor Manuel
Com o modelo de jogo dos novos campeões europeus, ainda há esperança para vós!!!

Parabéns, Grécia!

Com o vosso futebol não mereciam ganhar... mas ganharam!!!

Não vale a pena chorar!

Obrigado, Selecção!

sexta-feira, julho 02, 2004

Manifesto anti-Jardim
(com a devida vénia ao Mestre que, para insultar este abrunho, não se importará que abuse das suas palavras…)

Uma geração, que consente deixar-se representar por um Jardim é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indígnos e de cegos! É uma resma de charlatões e de vendidos, e só pode partir abaixo de zero!
Abaixo a geração!
Morra o Jardim, morra! Pim!
Uma geração com um Jardim à proa é uma canoa em seco! (mesmo que seja uma ilha!)
O Jardim é um cigano! (pobres ciganos, que não têm culpa!)
O Jardim é meio cigano!
O Jardim saberá gramática (ninguém diria…), saberá sintaxe (também não…), saberá medicina (não saberá, por certo…), saberá fazer ceias pra cardeais (com o dinheiro que saca ao orçamento geral do estado!), saberá tudo menos escrever e falar que é a única coisa que ele faz!
O Jardim é um habilidoso!
O Jardim veste-se mal!
O Jardim usa ceroulas de malha!
O Jardim especula e inocula os concubinos!
O Jardim é Alberto João!
Morra o Jardim, morra! Pim!
O Jardim nu é horroroso!
O Jardim cheira mal da boca!
Morra o Jardim, morra! Pim!
O Jardim é o escárnio da consciência!
Se o Jardim é português eu quero ser cubano!
O Jardim é a vergonha da política portuguesa! O Jardim é a meta da decadência mental!
E ainda há quem lhe estenda a mão!
E quem lhe lave a roupa
E quem lhe dê razão!
E quem tenha dó do Jardim!
Morra o Jardim, morra! Pim!
Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!
Morra o Jardim! Morra! Pim!

A imagem de Portugal II
Portugal vive de aparências. Ao menor descuido, à mais pequena falha, a qualquer tentativa de ousar, Portugal pensa “o que é que os outros pensam de nós?”
Portugal tem, hoje, a capacidade da organização dos grandes eventos e da construção das grandes obras: a EXPO98, o EURO2004, a Ponte Vasco da Gama, os estádios do Euro. Portugal tem, hoje, a capacidade de se exibir, com representação sua, ao mais alto nível num sem número de áreas da vida: no futebol com Figo ou com o FCPorto, na música com Mariza ou os Madredeus, na ciência com Damásio ou Mangueijo, na arquitectura com Siza, na literatura com Saramago, na pintura com Paula Rego e tantos outros nestas áreas e noutras… Portugal tem, hoje, a capacidade de exportar políticos para lugares como a Presidência da Comissão Europeia (José Barroso) ou a Vice-Presidência do Parlamento Europeu (José Pacheco Pereira). E tudo isto inimaginável há 30 anos! Portugal tem mais: tem a franca entrega no contacto com os outros, o mais fantástico clima europeu, a melhor gastronomia, alguns dos melhores vinhos.

É evidente que tudo isto, como as moedas, tem outra face… O esbanjamento de dinheiro em obras menos prioritárias, sistemas públicos a carecerem, há muitos anos, de reformas, uma academia mesquinha, incompetente e ensimesmada, os “sistemas” do futebol, da política autárquica e dos caciquismos partidários, o racismo encapotado, o preconceito, a falta de brio no trabalho…

Mas é assim a vida!

Os ingleses não têm os hooligans? Os norte-americanos não têm a política externa? Os espanhóis e italianos não se têm a si memos? (esta foi a brincar…)

Temos que parar a procrastinação nacional e passar a viver a vida sem pensar, a toda a hora, no que é que os outros pensam de nós!
PORTUGAL!!!

A imagem de Portugal I
De Espanha chega-nos este texto:
ELOGIO DE PORTUGAL, UN PAÍS CON UNA FEROZ LIBERTAD DE EXPRESIÓN, DEL QUE LOS ESPAÑOLES TENEMOS MUCHO QUE APRENDER
Con Lupa
JESÚS CACHO
01/07/2004

Muchos españoles están descubriendo estos días, aparentemente sorprendidos, la existencia en la casa de al lado de un vecino llamado Portugal, un vecino bastante más pobre que nosotros pero capaz de organizar una evento tan importante como un Campeonato de Europa de fútbol, de construir una serie de estadios, todos magníficos, de ganar a la millonaria selección española, e incluso de colocar como presidente de la Comisión Europea a uno de sus políticos, José Manuel Durao Barroso.

Ese país, cuya selección jugó y ganó ayer la primera semifinal de dicho campeonato contra Holanda, lo cual ya es de por sí un triunfo, sigue siendo un gran desconocido para España y los españoles. ¿Por qué? Porque los españoles, con la inveterada suficiencia de quien se cree superior, se han negado siempre a entender -en realidad ni siquiera lo han intentado- a Portugaly los portugueses.

Cuando la realidad es que España y los españoles tendrían -tendríamos- mucho que aprender de nuestros vecinos atlánticos. Aprender y lamentar la ausencia en España de esa elite intelectual, empresarial y política que habla idiomas, elite muy cercana a Gran Bretaña y a la cultura francesa, muy poco hispanófila, pero muy tolerante, muy abierta, muy cosmopolita.

En Portugal sería impensable contar con un presidente de la República que no hablara francés e inglés. La mayoría de los portugueses se esfuerzan por hablar español ante españoles, haciendo gala de una actitud cívica en el trato que tan difícil es de encontrar en el páramo hispano.

El presidente, Jorge Sampaio, vive en su casa, en su propio domicilio, comoel primer ministro. A ninguno le da por convertirse en un Trillo. Nadie enloquece con el cargo. Nadie se prevale de su condición. Antonio Vitorino, actual comisario europeo, dimitió de su cargo como ministro -socialista, por cierto- tras descubrirse un desfase de 8.000 escudos (unas 6.000 pesetas) en las cuentas de su ministerio.

Semanas atrás, el presidente ZP se trasladó a Lisboa en su primera visita relámpago al país vecino, y no se quedó a cenar con Durao Barroso a pesar de haber sido invitado. Todo un síntoma. Vistas así las cosas, no es extraña esa inveterada desconfianza que comparte la clase política portuguesa hacia España, desconfianza que la prensa se encarga de mantener viva. Sus razones tendrán.

Todo el edificio de ese Portugal Abierto -la vieja aspiración de quienes aquí persiguen una España Abierta capaz de superar sus viejos atavismos- se asienta seguramente sobre una feroz libertad de expresión que todos defienden y que se manifiesta en los debates -políticos, económicos- que se celebran en la televisión y en los textos que aparecen en diarios y semanarios (de gran importancia en el país vecino).

Comparar esa libertad de prensa, ese valor cívico del que hacen gala las elites portuguesas para hablar alto y claro, y criticar lo que juzgan merecedor de crítica, con el miedo a hablar de nuestros ricos, de nuestros empresarios, de nuestros políticos, fieles devotos de la ley del silencio, y con el secretismo y la rendición a los poderes políticos y económicos que hoy caracteriza a la prensa española -no digamos ya a la televisión- es como para echarse a llorar. ¿De qué presumen, entonces, los españoles ante Portugaly los portugueses? Ese es, sin duda, uno de los grandes misterios de la Historia Universal.


In www.elconfidencial.com

Água mole em pedra dura, tanto dá até que fura.
Pedro Santana Lopes, Presidente do PPD/PSD

quinta-feira, julho 01, 2004

Miguel Veiga: Líder do partido pode não ser primeiro-ministro.
E curiosamente, quem mais veementemente defendeu esta tese no passado, se bem me lembro, no congresso do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, que elegeu Fernando Nogueira líder do PSD, foi precisamente Pedro Santana Lopes!

Agora um bocadito mais a sério…
Aprecio a forma serena como o Presidente da República – em quem eu não votei! – tem conduzido o processo. O PREC e a I República já lá vão e por mais agitação que certos sectores da sociedade queiram promover, a verdade é que isto não é a República das Bananas (Eu sei, eu sei… às vezes parece. Mas não é!).

Jorge Sampaio começa a ouvir os partidos na próxima terça-feira,
E faz ele muito bem! Até Domingo ninguém quer saber de mais nada que não a antecipação do jogo da final do Euro2004. Segunda-feira o rescaldo. Terça-feira, dia em que, entretanto, as televisões começam a ter falta de assunto, toma lá notícia! Não que eles não consigam rebuscar os mais interessantes temas, como a avozinha de 93 anos da aldeia perdida da serra de Ourique que lamenta que o Sr. Presidente do Conselho tenha caído da cadeira e tenha que ir ser tratado lá para onde nascem as couves (Bruxelas) e rejubila com a lição que o Eusébio – com a idade dele e ainda nestas coisas da bola, hem… - anda a dar nesses europeus, mas assim como assim… É melhor salvaguardar as audiências. É porque enquanto não há pão, sempre é melhor que alimentemos o circo!

Criança morta na Palestina…
Omar Mohammad Abou Zreihan, 9 anos, morto.
Podemos arranjar as mais sofisticadas argumentações sobre o conflito na Palestina – e temos lido tantas... – mas o que aqui fica espelhado, uma vez mais, é a prepotência, arrogância e falta de dignidade dos senhores do poder de Israel e a manipulação de inocentes por parte de vermes execráveis que lideram alguns movimentos de “libertação” na Palestina.

Parabéns, Sporting!

O meu querido clube faz hoje 98 anos. 98 anos a sério. Sem erros de registo. Sem truques de secretaria. 98 anos. De esforço. De dedicação. De devoção. De glória. Viva o Sporting!

Parabéns, Selecção!