terça-feira, julho 22, 2003

O Católico de Direita e a homossexualidade.

Enquadramento
O. O católico de direita pronuncia-se sobre a homossexualidade;
1. Eu respondo acusando-o de intolerância e demarcando-me dessa direita.
2. Ele riposta propondo uma discussão conceptual (3), chamando-me pateta e idiota (4), afirmando a homossexualidade como um questão fracturante entre a esquerda e a direita (5) e manifestando agrado por não me ter na sua companhia (6);

Discussão
3. Diz o Católico de Direita que eu, falando sobre a sua “intolerância” recorro a “uma técnica clássica da “agit-prop” esquerdista, que consiste em atribuir a uma certa palavra um determinado significado que a mesma não possui”.

Vejamos então:
Tolerância s.f. 1. Carácter ou atitude de quem aceita ou admite aquilo que é diferente (…) 2. Aceitação do que não se pode ou não se quer impedir (…) 3. Capacidade ou qualidade de admitir e respeitar as ideias, os comportamentos… com que não se concorda; aceitação da diversidade, do pluralismo (…) in Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa.

Olhemos, agora, para algumas afirmação do Josephuscarolus:
Preocupa-me a forma obsessiva como a homossexualidade tem vindo a ser promovida na sociedade portuguesa nestes anos mais recentes, sendo apresentada de forma romantizada, como um estilo de vida alternativo, bom, agradável e perfeitamente aceitável, num logro propagandistíco que tem como vítimas principais os mais jovens, ainda em período de formação de ideias.

Importa-se de repetir?! Quer então dizer que não é aceitável? Se não é aceitável, poderá ser tolerado? Não tolerando, ser-se-á tolerante?

Mas, ainda que entendamos o conceito no seu mais lato senso, como indulgência ou condescendência, e aceitemos o Católico de Direita como alguém tolerante face à homossexualidade, o que ele não consegue disfarçar é a sua total falta de respeito para com a diferença:
Ora, essa visão da realidade homossexual é altamente falaciosa: de facto, a homossexualidade só pode ser encarada do modo como tradicionalmente sempre o foi até ao retrocesso civilizacional da actualidade, isto é, como um comportamento grave e profundamente desordenado, não só com seríssimas consequências físicas para os seus praticantes, mas também como uma óbvia ameaça à estabilidade e futuro da própria sociedade.

Parece-me evidente que, quanto a isto, estamos conversados.

4. Diz ainda que eu assumo “o patético papel de idiota útil na guerra cultural sem tréguas nem quartel que aquela move aos valores civilizacionais cinco mil vezes milenares da tradição judaico-cristã.” [riso] Ou o caro J. é um comediante genial e tem-me, desde já, rendido a seus pés ou, caso assim não seja, envie-me um mail a pedir socorro e eu prontamente lhe dou a indicação de um excelente terapeuta para o ajudar a sair desse marasmo em que se encontra…

5. A homossexualidade não é uma questão fracturante entre a esquerda e a direita; é antes uma questão de pluralidade, respeito pela diferença e tentação pela imposição de valores. E há uma coisa que diz com a qual estou parcialmente de acordo. “A uniformidade de pensamento sobre qualquer questão é apanágio da esquerda.” Eu proponho a revisão da frase para algo como: A uniformidade de pensamento sobre matérias políticas é apanágio da esquerda. A esquerda tem um sonho, olha para a sociedade e procura mudá-la em nome desse sonho. A direita é pragmática, olha para a realidade, procura compreender os seus mecanismos, e tenta gerir o que tem sem pretensões de mudança radical. A imposição de valores é, por conseguinte, e aqui estamos de acordo, apanágio da esquerda. O estranho é que haja tanta gente à direita cheia de vontade de normalizar o comportamento dos outros, validar moralmente as condutas e impor regras de comportamentos à sociedade!

6. Quanto à manifestação de regozijo por não se sentir acompanhado por mim, resta-me agradecer. Melhor que a minha demarcação, só mesmo a reiteração, da sua parte, do nosso incontornável distanciamento. Obrigado!

7. Já agora, só mais umas questões…
Diz:
Na verdade, os próceres do homossexualismo sistematicamente ocultam que esta prática, para além de ser responsável pelo alto grau de incidência de sida entre os homossexuais (é certo que em números absolutos há mais heterossexuais seropositivos do que homossexuais nas mesmas condições, mas esses números também têm de ser aferidos cotejando-se a proporção de seropositivos em relação ao total suposto de membros de cada um dos dois grupos na população) e pela ocorrência de toda uma série de outras doenças sexualmente transmissíveis, das quais se destaca a tradicional sifílis, é também culpada por um inusualmente elevado número de cancros da região recto-anal, bem como de diversíssimos casos de relaxamento dos músculos esfincteres, os quais acarretam situações mais ou menos graves de incontinência fecal. O balanço final desta situação é uma esperança média de vida de cerca de menos vinte cinco anos para os homossexuais em relação aos heterossexuais.

Não é a igreja católica que continua a não concordar com o uso do preservativo? Nomeadamente em África, onde o flagelo é, aparentemente, incontrolável… Ou será que é pelo facto de serem Pretos??!!! Também partilha das revisões ideológicas das teorias científicas de Vidal de La Blache a Offstead?

Propõe a criação de uma lei contra a prática de sexo anal? Veja lá, olhe que os níveis possíveis de intervenção do Estado são imensos… Para um mundo de doutrinação interminável é só seguir as pegadas do irmão Torquemada.

Os homossexuais têm uma esperança média de vida de menos 25 anos?!!!! Ora aí está um estudo sobre o qual gostaria deitar os olhos… Vá lá, faculte lá à blogosfera o link para tal estudo.