sexta-feira, janeiro 28, 2005

Legislativas 2005 [O dilema de Freitas, #4] Freitas do Amaral devia saber que, ideologicamente, não há centro. Porque o centro não é coisa nenhuma. A Democracia Cristã pode, de facto, e ele sabe-lo bem, ser de direita (como na Europa por oposição ao socialismo) e de esquerda (como na América Latina ao tempo das ditaduras militares), mas isso é diferente de ser-se de centro. Lembro-me de um discurso empolgado, um discurso de direita, de Freitas do Amaral em que, reforçando a razão do CDS, na altura sozinho, em questões fundamentais da Democracia portuguesa, questionava e respondia: “Quem disse não à constituição socialista? Foi o CDS!”, “Quem disse não às nacionalizações? Foi o CDS!”, “Quem disse não à liberalização do aborto? Foi o CDS!”. É verdade que, como quem lê, a sociedade portuguesa foi avançando da esquerda para a direita. É verdade que as pessoas podem mudar de opinião. Evoluir. Mas em nome da emoção (de sentimentos mal resolvidos) querer negar a razão é um erro crasso que não traz paz interior, nem augura grande futuro.